Teca a arvore do futuro, investir em madeira nobre quando ninguém queria e agora exporta para Índia

“Quem quer resultado imediato planta grão. Quem quer resultado a médio prazo, planta árvores e quem quer resultado para sempre, educa”. A declaração foi dada por colega de serviço de Gileno Venâncio da Cunha, de 65 anos, e parece ter mudado a vida dele definitivamente.

Ele decidiu investir em plantio de “teca” – árvore de madeira nobre, muito utilizada na indústria naval por conta da sua durabilidade – há 18 anos, em propriedade de Terenos (MS), quando outros produtores estavam voltados para outras atividades. Agora vai exportar para Índia.

“Plantação de eucalipto, por exemplo, se expandiu por Ribas do Rio Pardo, Água Clara, mas o resto é tudo soja. O pessoal não tem essa cultura”, declarou o produtor, se referindo às práticas que exigem mais tempo para apresentar retorno financeiro.

A EXPORTAÇÃO

Gileno conta que a primeira derrubada de árvores para esta venda foi realizada no dia 3 de maio. A carga será levada para o outro país, a partir do Porto de Santos, em dez contêineres. Mas a exportação deve continuar. “Eles vão levar como experiência. A ideia deles é vender para indústria náutica e moveleira”.

Diferencial da teca plantada em solo brasileiro é o tempo para o corte, bem inferior ao dos países asiáticos, de onde a árvore é originária.

O PRIMEIRO CONTATO

E foi em outro país que ele teve contato com uma plantação de teca pela primeira vez. Formado em Geologia, Gileno trabalhava com pesquisas sobre petróleo na República de Trinidad e Tobago (Caribe), quando “foi apresentado” à tectona grandis, nome científico desta espécie.

Naquela ocasião, a surpresa ficou por conta do tempo necessário para o corte das árvore, mais de 30 anos. Foi quando ele ouviu a tal declaração definitiva como resposta, seguida ainda de uma comparação entre as diferenças culturas entre orientais e ocidentais, considerados mais “imediatistas”. “Me disseram que 30 anos não era nada”, completou.

Gileno trouxe as mudas de teca da Venezuela e, em 1998, plantou as primeiras árvores em seis hectares de terra (60.000 m²) da Chácara das Meninas.

“Pensei em deixar como fundo de garantia para quando eu parasse de trabalhar. Era um risco, mas na época nem tinha muito no que investir e era uma plantação que não precisava de muita dedicação”, lembra.

Segundo ele, o cultivo das tecas não exige tantos profissionais atuando. Além disso, possíveis ataques de formiga não são tão danosos quanto seriam em outras espécies.  “Comecei com 65 árvores. Hoje são entre 11 e 12 mil”.

OS TRABALHOS

Depois de quatro anos da plantação das mudas, Gileno fez os primeiros cortes para reduzir a densidade de árvores por hectare, que passaram de 1600 para 800. Após mais um tempo, ele reduziu para 200 árvores por hectare e a intenção é diminuir para apenas 100 nos próximos 15 anos. “Elas precisam de espaço para crescer”, detalha. Alguns móveis da casa dele, inclusive, foram construídos com a madeira destes primeiros cortes.

Quando compara os investimentos feitos com a plantio em relação ao retorno financeiro e até ambiental, ele se sente recompensado. “A rentabilidade ainda é maior que do eucalipto, por exemplo. E tem ainda a questão do gás carbônico”, disse.

E quando calcula o tempo que teve de esperar até que as árvores alcançassem tempo para corte pensa que não foi muito. “Com certeza, aqui em Mato Grosso do Sul, eu fui pioneiro”, finaliza.

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